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Há 30 anos, Nirvana traduzia o Zeitgeist da década de 90

Há 30 anos, um grupo de jovens de Aberdeen, uma pequena cidade no estado de Washington, mudaria a indústria musical. Nevermind, do Nirvana, foi lançado em 24 de setembro de 1991 e iniciou o que seria a última grande revolução da música pop que se tem notícia.

Alçou jovens normais e angustiados a um sucesso extremo e, até por essa natureza, efêmero. Hoje, na era da informação, é difícil perceber o enorme impacto que indústria do entretenimento levou nos anos 1990 com o lançamento do disco. Claro: hoje se Kanye West vender peido enlatado, só vai se falar nisso em um ano.

Mas em 1990, quem diria que esse grupo de jovens adultos teriam condições de tirar Michael Jackson do alto das paradas cantando coisas como “É correto comer peixes, pois eles não têm sentimentos” ou “aqui estamos, nos entretenham”?

Pois Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Noveslic conseguiram. Numa rara concessão de Kurt para tornar seu som mais palatável, se aliou ao produtor Butch Vig e tomou o mundo de assalto ao falar sobre angústias de gente comum. Angústias de um mundo que, em pouco mais de uma década, viraria algo irreconhecível.

É claro que o Nirvana não esteve sozinho fazendo sucesso em Seattle. A banda foi capaz de pavimentar o caminho para outros arrasa quarteirões, como Pearl Jam, Soundgarden e Alice In Chains — para ficar apenas naqueles que “chegaram lá”.

Mas é inegável que, sem Nevermind, não haveria música alternativa nas paradas de sucesso, a extinção dos laquês na Sunset Strip ou modelos desfilando de camisa de flanela nas passarelas de Paris e Nova York.

Nirvana: um Zeitgeist

Nirvana, na verdade, representou um Zeitgeist na cultura pop. A indústria saía de um momento de excessos — drogas, fama e dinheiro — ocorrido nos anos 1980 que não exatamente ressoou com a geração de jovens que viria em seguida.

Não é à toa que bandas famosas como Ratt, Motley Crue e Def Leppard — que dominavam as paradas com suas baladas românticas — não tiveram chance na década de 90 nem mesmo adequando-se à sonoridade que vinha de Seattle.

Você pode até parecer autêntico, mas as pessoas percebem quando você não o é. E isso foi mortal para esse conjunto de grupos, enterrados a partir da explosão do grunge — que nada mais é uma nomenclatura para identificar esse movimento; de origem igual, mas estilos distintos.

O que será de nós?

Como mencionei anteriormente, o mundo mudou. Tudo ficou mais rápido, segmentado e descentralizado. Será difícil vermos um dia um movimento tomar conta da mídia como ocorreu na época do grunge.

Há fenômenos específicos, como um BTS ou a megapopularidade de artistas como Beyonce ou Taylor Swift. Mas momentos especiais, como aquele dos anos 1990, em que tudo parece conspirar a favor de uma ideia, parecem improváveis de acontecer. Quanto mais houver uma voz que consiga traduzir os anseios de toda uma geração.

No mundo de 2021 é cada vez mais nebuloso enxergar uma união — uma tempestade perfeita, no melhor sentido da expressão — quando olhamos para os anseios das pessoas. O que queremos? Quais as angústias possíveis de serem traduzidas por quem quer que seja agora? No mundo de 2021, nosso Zeitgeist é muito sombrio para ser traduzido.

 


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